Uma turma que só aumenta

Uma turma que só aumenta

30/04/2019

Por Roseli Lopes – Valor Setorial ENERGIA – Abril 2019

No embalo do crescimento do mercado de energia solar fotovoltaica, o número de fornecedores já chega a 6 mil em um mercado de R$7,4 bilhões

Uma pesquisa da Greener, consultoria especializada no setor de enrgia solar fotovoltaica, divulgada em janeiro deste ano, indicou que, em 2018, o setor de geração distribuída movimentou R$4 bilhões, valor que representa mais da metade do movimento do setor de energia solar como um todo naquele ao, de R$7,4 bilhões nos cálculos da consultoria.

Juntos, esses números vigorosos podem ajudar a explicar o crescimento no mercado brasileiro de outro setor: o de fornecedores de equipamentos de energia solar.

“Em 2014, a quantidade de empresas no Brasil que projetam, vendem e instalam módulos fotovoltaicos, as chamadas empresas integradoras, não chegava a 400. Em janeiro de 2019, já contabilizamos 6 mil”, conta Marcio Tanaka, diretor da Greener. Por se tratar de um mercado relativamente jovem, começou em 2012, o crescimento robusto veio sobre uma base ainda pequena. Ainda assim, Tanaka diz que há muito espaço para ser preenchido.

“Hoje, ele representa, segundo a própria Agência Nacional de energia Elétrica, apenas 1,2% da matriz energética brasileira, o que é pouco, comparado a outros mercados, como o americano, europeu ou asiático, que têm por volta de 10% de sua matriz baseada na fotovoltaica”, diz Fernando Castro, diretor comercial da Globo Brasil, primeira indústria de módulos fotovoltaicos instalada no país, em 2015, com sede em Valinhos, interior de São Paulo.

Castro destaca que “nem tudo são flores para os fabricantes locais de equipamentos, pois 95% do mercado de equipamentos na geração distribuída é abastecido com módulos fotovoltaicos e inversores importados”. Apesar do bom resultado da Globo Brasil em 2018, cm um crescimento nas vendas de pouco mais de 200% sobre 2017 e a expectativa de repetir, em 2019 e 2020, essa performance, Castro diz que parte razoável desse crescimento foi baseada na ampliação do portfólio de produtos e soluções com a utilização  de importados, e não com o aumento dos produtos fabricados localmente.

Embora seja possível ver algumas companhias internacionais e de grande porte atuando no país nesse segmento, como a Canadian Solar, uma das maiores fabricantes de módulos solares do mundo, presente no Brasil com uma fábrica em Sorocaba, no interior de São Paulo, desde 2016, ou a chinesa Trina Solar, que em 2017 abriu um escritório no Brasil para atender instalações de pequeno porte, como telhados de casas, o mercado de equipamentos solares é formado em sua imensa maioria por empresas nacionais e menores, com 80% delas tendo registrado, em 2018, faturamento inferior a R$500 mil, diz a Greener.

Na parte de integradores são quase todas 100% locais. E se o mercado ainda é formado por empreendedores de menor porte, ele contém duas características tidas como importante na visão de Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que representa o setor: a pulverização e a diversificação. “Existe uma variedade grande de empresas com perfis diferentes, modelos de negócios diferentes, ofertando equipamentos de procedências diferentes”, diz Sauaia. São as que fabricam painéis, as que desenvolvem os sistemas fotovoltaicos, as que executam os projetos diretamente com os clientes e as que atuam como distribuidoras de equipamentos, como intermediárias entre as instaladores e as projetistas, por meio de parcerias com as fabricantes, nacionais ou não, oferecendo os produtos no mercado como distribuidoras”, segundo o executivo da Absolar.

Ainda que esse mercado esteja em fase de expansão, a competição, diz Sauaia , já é acirrada entre as empresas não apenas por clientes e preço, mas por canais de venda e por mercado, justamente pelo potencial de crescimento do setor no país. Por isso, mais de 70% das que oferecem equipamentos solares diretamente ao consumidor finais diversificaram sua atuação com serviços.

Nascido como uma startup, o Portal Solar, marketplace on-line especializado em energia solar, com foco no segmento de geração distribuída, vende em seu site equipamentos para serem instalados em telhados para captação de energia solar. Tem entre seus clientes escolas, hospitais, postos de saúde ou consumidores que buscam o sistema para sua residência. “Nossos parceiros são empresas 100% nacionais, que importam esses equipamentos”, diz Rodolfo Botelho, que tem o irmão como sócio no negócio e juntos trabalham com energia solar há 12 anos. O portal encerrou o ano de 2018 com R$108 milhões em equipamentos vendidos. No primeiro trimestre de 2019, movimentou quase R$80 milhões e tem a meta de fechar 2019 com R$500 milhões em vendas.

A aposta do Portal Solar está no variado leque de oferta, que vai de equipamentos, passa pelos instaladores e chega ao financiamento da compra, feito em parceria com o Banco Votorantim. O crédito é destinado à compra e instalação de sistemas fotovoltaicos orçados entre R%5 mil e R$500 mil, com parcelas de até 60 vezes e juros a partir de 0,99% ao mês. O portal tem 7 mil pequenas empresas cadastradas, que compram ali para atender sus clientes, 9,5 mil instaladores, sendo 1,6 mil com selo de qualidade do Portal, e recebe quase 400 mil acessos por mês aos mais de 1,7 mil itens ofertados. “Nossa média tem sido de 20 novas empresas por dia que se cadastram para comprar os equipamentos”, diz Botelho. “Mas nosso principal objetivo com o portal é ensinar as pessoas legais a comprar os equipamentos solares”.

Na mesma linha trabalha o Minha Casa Solar, site de e-commerce em atividade desde 2010. “O ano de 2018 foi muito especial para a empresa, pois crescemos 250% sobre 2017 no fornecimento de equipamentos a empresas e consumidores finais”, conta Luis Felipe, um dos três s[ócios do site. Têm mais de 30 mil clientes on-line e 21 marcas de fabricantes dos principais equipamentos que fazem parte dos sistemas solares, de importados a locais, hospedados em sua plataforma de vendas. São 15 mil módulos fotovoltaicos armazenados em um Centro de Distribuição para atender não apenas as empresas e os consumidores, mas também os instaladores.

Com a presença em mais de 20 países e um histórico de vendas em painéis fotovoltaicos no mundo de quase 24 gigabytes desde 2001, a Canadian desembarcou no Brasil com sua fábrica em 2016, na cidade de Sorocaba, interior paulista, de 400MW, maior fábrica no Brasil desses painéis fotovoltaicos. Sob a proposta de atender parques solares, a empresa foi surpreendida, naquele mesmo ano, com i interrupção dos leilões de energia solar.

Dona de mais e 50% do mercado de equipamentos solares fotovoltaicos, a empresa foi obrigada a ajustar sua produção de três turnos que produziam1,5 milhão de módulos fotovoltaicos, para uma capacidade de produção de 30%, para não gerar excesso em estoque, diz Wladimir Janousek, diretor de desenvolvimento de negócios e relações governamentais da Canadian Solar. Também tem focado na geração distribuída com painéis fotovoltaicos para áreas rurais. Outra mudança que está nos planos da empresa são os módulos bifaciais, capazes de absorver também a luz refletida no solo ou da superfície do local. Mas não revela investimento, nem quando esses módulos estarão por aqui.

 

 

Uma das pioneiras no Brasil no mercado de painéis fotovoltaicos, a Órigo Energia, empresa que atua na geração distribuída de energia solar e no desenvolvimento e implantação de sistema de energia fotovoltaica, com mais de 500 projetos instalados e venda de quase 11 MWp (megawatts-pico), investiu mais de R$100 milhões, em 2018, na construção de fazendas solares, modalidade que visa disseminas o uso da energia solar. As fazendas solares são usinas instaladas em fazendas com aproximadamente 20 mil painéis solares e capacidade de gerar 5MW ao mês. Cada fazenda tem um custo de R$25 milhões. Minas Gerais tem quatro fazendas solares.

O empreendimento aluga cotas das fazendas solares para uma base de clientes pulverizados O cliente não precisará investir nos equipamentos solares para ter energia, e esse é o principal apelo desse formato de negócio”, diz o CEO Surya Mendonça. “Estamos investindo de R$25 a R$30 milhões em cada uma das nove fazendas que deverão ser implementadas pela companhia em outras regiões do país. Nosso plano é chegar com 40MW em fazenda solar.”

As fazendas são também a grande aposta da empresa para atingir a meta de dobrar o faturamento da companhia, que o executivo não revela em números, mas diz que cresceu sete vezes em 2016 e 2018.

Valor Econômico - Abril 2019

Compartilhe nas redes sociais

Matérias Relacionadas

Usamos cookies para personalizar conteúdo e anúncios, analisar tráfego e proporcionar uma experiência mais segura para os nossos usuários. Veja nossa Política de Privacidade para mais informações. Aceitar