Por que devemos levar as mudanças climáticas mais a sério do que nunca?

Por que devemos levar as mudanças climáticas mais a sério do que nunca?

30/11/2021

As mudanças climáticas estão aumentando à medida que o aquecimento global se intensifica. Agir durante essa década é fundamental para haver um futuro melhor, limitar a temperatura global em 1,5°C e expandir as tecnologias renováveis.

Os episódios frequentes relacionados aos impactos ambientais mostram que o mundo não está em sua melhor performance. Recentemente, a China foi alvo de enchentes que mataram centenas de pessoas; o noroeste dos Estados Unidos, conhecido por ser uma região fria, atingiu quase 40°C e o Brasil tem passado por oscilações entre dias quentes e frios constantemente, independentemente da estação. 

Esses são sinais alarmantes do que pode ficar ainda muito pior. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que fornece dados, perspectiva de futuro e incentivo a pesquisas científicas, esses episódios estão acontecendo com um aquecimento médio de 1,1°C. Porém, a previsão é que a temperatura possa chegar até 5,7°C até 2100, caso nada seja feito.

O relatório aponta que, com o aumento das emissões, a velocidade de aquecimento também está mais rápida e as estimativas de alcançarmos 1,5°C estão previstas entre 2030 e 2040. Essa seria a temperatura máxima que poderíamos alcançar para evitar que outros danos fatais atinjam o planeta. Por isso, as estratégias executadas nessa década são tão importantes para o futuro. 

Causas do aquecimento global e mudanças climáticas

Desde a década de 70, o dióxido de carbono está ligado à atividade humana, principalmente após a revolução industrial com o desenvolvimento de tecnologias, automóveis, entre outros. De lá para cá, quase tudo mudou, mas uma coisa é fato: mais indústrias surgiram e o consumo de itens aumentaram. Ou seja, poluentes derivados da queima de combustíveis fósseis como o carvão e o petróleo também aumentaram.

Efeito estufa 

Os combustíveis fósseis são uma das principais causas do efeito estufa, mecanismo que acontece com ação de gases na atmosfera. De modo geral, o efeito estufa é importante para manter a temperatura equilibrada na Terra e em condições para a existência de vida. Contudo, quando há o acúmulo excessivo de gases poluentes, o aquecimento global se intensifica e as mudanças climáticas também.

Desmatamento

O desmatamento é outra causa que impacta o aquecimento global. As árvores são responsáveis por captar os gases do efeito estufa, diminuir a temperatura do planeta e resfriar a atmosfera. Com a extração desenfreada de florestas essas condições ficam precárias.

Lixo 

O excesso de lixo no planeta e a falta de reciclagem também interferem diretamente no clima do ecossistema. O problema principal está nos lixões e aterros sanitários, onde a decomposição desses resíduos resultam em gases poluentes como o metano. 

3 impactos ambientais das mudanças climáticas

Secas

Antigamente, secas severas aconteciam uma vez por década. Mesmo com os baixos períodos de chuvas, ainda era possível ter água para manusear com segurança a agricultura e uso domésticos. Atualmente, esses episódios acontecem 70% mais frequentemente

No Brasil, uma das consequências preocupantes que as secas trazem é o impacto na agricultura. Segundo o estudo "O limite climático para a agricultura no Brasil", as secas e as mudanças climáticas atingem a produção em algumas partes do país, interrompendo a expansão das safras. Diante disso, os preços dos alimentos ficam mais elevados, além dos impactos na importação de commodities

Ondas de calor

As ondas de calor que têm atingido o mundo também assustam a humanidade. Se o aquecimento global chegar a 2 graus, a probabilidade de esses episódios alarmantes são 14 vezes maiores de acontecer. Hoje, estamos em um período em que toda década atual é mais quente do que a que passou. As temperaturas no mar também estão mais elevadas e inúmeras espécies correm risco de extinção, como os anfíbios e fitoplâncton. Os ursos polares também são os mais ameaçados, por viverem em áreas de gelo que estão gradualmente sobreaquecendo e derretendo. 

Aumento do nível do mar

Segundo o relatório do IPCC, a elevação do nível do mar praticamente dobrou desde 2006. Se as geleiras continuarem derretendo no mesmo ritmo, em 2100, as inundações nas zonas costeiras, que aconteciam em média uma vez por século, devem atingir a frequência de uma vez por ano. 

Segundo a Agência Brasil, o nível dos oceanos está aumentando 3,1 milímetros (mm) por ano. Somente entre 1979 e 2020, o gelo do Oceano Ártico derreteu em média seis vezes o tamanho da Alemanha. Além do impacto na biodiversidade, a elevação pode atingir as áreas mais vulneráveis como comunidades à beira-mar, ilhas e até cidades turísticas como Veneza, que correm o risco de ser inundadas. 

Então, o que precisa ser feito?

Chegar às emissões líquidas zero em meados do século é a solução mais aconselhável. Apesar de ser uma meta ambiciosa e questionável para alguns, essa é uma iniciativa necessária. Se as emissões não caírem pela metade até 2030 e mantiverem o aquecimento global em 1,5ºC, as próximas décadas serão degradadas e o que veremos serão mais episódios catastróficos e fatais para a vida do planeta.

Evolução do mercado de carbono

A aprovação do mercado de carbono acordada na COP26 em Glasgow, é o início de algo que pode ajudar muito o Brasil e o mundo em termos ambientais, tecnológicos e econômicos. A regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que tem como objetivo incentivar apoio internacional para reduzir as emissões de carbono via trocas de créditos, possibilitará que os países possam neutralizar suas emissões e até ofertar créditos para outros territórios.

A meta não é criar um mercado de carbono mundial centralizado, mas possibilitar que países possam trocar créditos para reduzir a emissão de C02 com outros países e também entre entes privados. Na prática, isso não deve acontecer de imediato, ainda faltam algumas definições de implementação e decidir quais serão as NDC's - os compromissos criados por cada país.

A previsão é que o plano seja feito até 2025, com prazo de cumprimento até 2035. Com isso o mercado voluntário de crédito de carbono (que já existe), também deve crescer significativamente, mas o objetivo principal é que cada vez mais os créditos sejam contados como NDC's.

Expansão da energia renovável

Diminuir o uso de combustíveis fósseis é primordial para diminuir as mudanças climáticas. Neste sentido, novas alternativas para a produção de energia elétrica ganham evidência. As fontes de energia renováveis, como a solar e a eólica, são uma maneira de substituir o uso de combustíveis fósseis à medida que gera um crescimento econômico robusto para o país.

Leia também: 10 vantagens da energia solar compartilhada

O Brasil é um dos países em potencial na produção de energia limpa, por ter um dos climas mais propícios, principalmente, para a captação de energia solar.  Segundo a ABSOLAR, atualmente 2,3% da matriz elétrica brasileira é composta por energia solar e 10,5% por energia eólica. A grande maioria ainda fica com as hidrelétricas, que correspondem a 58,1% da produção de energia no país.

Alcançar uma matriz energética mais diversificada, e predominantemente renovável no mundo, trará benefícios a longo prazo que favorecem o planeta, o consumidor e o próprio setor energético, pois gera mais empregos, crescimento de infraestrutura e avanços tecnológicos. Por isso, o acesso universal às alternativas renováveis, precisa se expandir o mais rápido possível.

Faça sua parte 

Por fim, é importante que cada um faça a sua parte. Hoje, contamos com smartphones e aplicativos que possibilitam mais acesso à informação e práticas de consumo consciente. A tecnologia oferece dados com mais precisão e ajuda a entender como realmente as mudanças climáticas estão acontecendo em nosso cotidiano. Também é possível ter visibilidade de prazos, diminuindo incertezas e evitando possíveis erros. Podemos exercer o poder de escolha para, de fato, fazer a diferença. Acesse nossa página de soluções e veja como você também pode colaborar!

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