Crise hídrica: passado e presente, como ela pode afetar o seu dia a dia?

Crise hídrica: passado e presente, como ela pode afetar o seu dia a dia?

16/09/2021

A atual crise hídrica que afeta o Brasil traz consigo o medo de um novo racionamento parecido com o que tivemos no início dos anos 2000, época em que o governo decretou o corte de energia elétrica obrigatório em 16 estados do país, impactando desde a rotina da sociedade civil até a das grandes empresas. 

Fora que a escassez de água afeta diretamente as nossas commodities e, consequentemente, onera os valores em todo o processo, fazendo que o consumidor pague mais caro em um produto que antes poderia custar até metade do valor atual. Além de sua importação ser abaixo do valor previsto, fica uma lacuna enorme em nossa economia.

Para saber mais: Entenda a crise hídrica e a situação energética no país

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Como a crise hídrica se relaciona com as energias renováveis

Após o alarme de uma nova crise e o aumento na conta de luz, a discussão sobre a utilização das fontes renováveis vem se intensificando. As mudanças climáticas, o aquecimento global e o crescimento do desmatamento da Amazônia, também colaboram para a expansão do tema. 

Um artigo publicado pelo Repositório do Conhecimento IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que no período de 2012 até 2015, a capacidade mundial instalada de fontes renováveis atingiu a marca de 61%, colocando em destaque as energias solar e eólica, que ultrapassaram a hidráulica pela primeira vez desde o surgimento de novas fontes renováveis como alternativa econômica e ambiental. 

Já um estudo da IRENA (International Renewable Energy Agency), aponta que, desde 2018, um terço da capacidade mundial instalada de energia é representada por fontes renováveis. O IRENA também afirma que, desde 2020, as fontes renováveis representam mais de 80% da capacidade mundial instalada.

No Brasil, as energias renováveis atingiram 50% da matriz energética. Só no mês de julho, 10 recordes de produção na região Nordeste foram alcançados, aponta a Agência Brasil. 

Mas como a crise hídrica 2021 pode afetar o seu dia a dia? 

Além da crise hídrica de 2021 afetar o seu bolso, fazendo que a conta fique mais cara, entre as consequências da escassez de água, está o impacto gigantesco na economia mundial.

O nosso país é um dos maiores produtores e exportadores de commodities ligadas ao agronegócio do mundo. As commodities são produtos que funcionam como matéria-prima, e geralmente são produzidos em larga escala podendo ser estocados sem sofrer alterações em sua qualidade. Produtos como petróleo, café, suco de laranja, soja e alumínio fazem parte dessa grade. 

Isso ocorre por conta do grande poder em recursos naturais que o Brasil tem, com um território propício para o cultivo e a variedade desses materiais. Mas, devido à crise hídrica, houve um grande "golpe" na nossa economia e no lucro gerado pelas commodities. O Rio Paraná, um dos mais importantes do país, tornou o transporte de grãos e minérios um desafio por conta do baixo nível de água. 

E, claro, devido à escassez das chuvas, o produtor também enfrenta custos maiores com energia e o problema da escassez de água no sistema de irrigação das plantações. Essa situação é o que gera aquele aumento que você não esperava nas compras do mês. O produtor irá gastar mais e isso, no que lhe concerne, tende a refletir no preço cheio (e caro) que o consumidor irá pagar. 

Como a crise hídrica pode afetar a sua saúde

Outra consequência mais notável causada pela escassez de água é a proliferação de impurezas que podem ser encontradas nos baixos níveis dos reservatórios. O índice de contaminação é maior, já que a falta de pressão dos tubos do sistema de distribuição, que antes auxiliava o processo de descontaminação, não acontece como deveria. 

Diante disso, ocorre a eutrofização, processo de poluição em corpos d’água, facilitando a contaminação da água que chega até a sua casa. Por esse motivo, o surgimento de doenças transmissíveis, como viroses, tendem a ter um crescimento notável em épocas em que a crise hídrica assola o país. 

Outro ponto importante da relação da escassez de água com a nossa saúde é o próprio momento que estamos vivendo. Já que uma das medidas  de prevenção contra a doença causada pelo coronavírus é a utilização de água em processos higiênicos. Assim, a demanda por água aumentou desde que a quarentena começou, e lidar com uma crise hídrica nesse momento se torna ainda mais delicado, demandando atenção e cooperação de todos para que um racionamento não aconteça. 

Outras consequências da escassez de água

As consequências da crise hídrica também atingem diversas etapas da nossa economia, como os pequenos empreendimentos. Por mais que os grandes produtores estejam sentindo o impacto da crise, eles tendem a ter um planejamento a longo prazo para essas situações, com saídas para “desafogar”.

Já as pequenas e médias empresas ficam na linha de frente da crise, tendo diretamente impactada a estrutura do negócio, forçando, em alguns casos, até o fechamento. A sua ida ao cabeleireiro, por exemplo, pode ficar mais cara, já que além dos produtos utilizados no setor sofrerem alteração no valor, a conta de luz do estabelecimento também passa a ser mais cara. Enfim, trata-se de uma situação que atinge vários serviços com grande demanda de energia e utilização de recursos hídricos. 

Entenda como é calculado a utilização de recursos hídricos em diversos processos 

Além disso, segundo uma pesquisa sobre olhares da bioética ambiental, as crises hídricas afetam tanto o meio ambiente como as populações mais vulneráveis, resultando na desertificação e na perda de biodiversidade; em impactos na oferta de trabalho e na estabilidade das populações humanas. Inclusive, há pesquisadores que questionam se as últimas mudanças bruscas de temperaturas teriam relação com o episódio atual.

É importante lembrar que basicamente tudo o que envolve a nossa alimentação e a nossa rotina depende do bem mais valioso do planeta: a água. Cuidar, compartilhar e se empenhar na sua preservação, tendo como aliado o consumo consciente, pode ser a aposta certa para frear o desperdício dos recursos hídricos. Por isso, são cada vez mais necessários instrumentos de promoção de diálogo e de reflexão da sociedade. Assim, o caminho para a construção de um futuro melhor, e possível, pode ser alcançado.

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